FGV-EAESP: Índice de Desconforto de Crédito (IDC) atinge nível máximo
O Índice de Desconforto de Crédito (IDC) no Brasil atingiu o valor de 1, o maior da série histórica iniciada em janeiro de 2014, conforme divulgado pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV-EAESP nesta terça-feira (19/05). Os três componentes (comprometimento de renda, inadimplência, e qualidade do crédito) encontram-se simultaneamente em suas máximas históricas, indicando que o desconforto de crédito das famílias brasileiras está, neste momento, na posição mais elevada já registrada pelo índice. Em janeiro de 2026, o IDC marcava 0,966, e o índice subiu 0,034 ponto em fevereiro. A elevação foi disseminada entre os três componentes: Comprometimento de renda (C), que passou de 29,5% para 29,7% (+0,2 p.p.). Isso significa que em fevereiro de 2026, para cada R$ 100 de renda familiar, R$ 29,70 estavam comprometidos com o serviço da dívida com o Sistema Financeiro Nacional Inadimplência (I) avançou de 6,9% para 7,2% (+0,3 p.p.), e Qualidade do crédito (Q) subiu de 24,7% para 25,1% (+0,4 p.p). Ou seja, em fevereiro de 2026, mais de um quarto do crédito livre destinado a pessoas físicas estava alocado em modalidades de maior custo, isto é, cheque especial, crédito pessoal não consignado e cartão de crédito (rotativo e parcelado). Para Lauro Gonzalez, um dos autores do índice e coordenador do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV EAESP, o índice deve mudar no próximo levantamento. “Nos próximos meses, o índice pode cair com o impacto do programa Desenrola, mas o cenário não muda uma vez que o programa não combate as causas estruturais do superendividamento”, concluiu.