Agentes de IA inauguram uma nova era do varejo
Até pouco tempo atrás, a inteligência artificial no varejo estava associada a chatbots, recomendações de produtos e personalização da experiência do consumidor. O cliente conversava com uma ferramenta, recebia sugestões e seguia sua jornada de compra. Agora, porém, uma nova etapa começa a se desenhar: a dos agentes autônomos, sistemas capazes não apenas de conversar, mas de agir. Esse movimento, conhecido como Agentic Commerce, foi um dos temas abordados no evento Digitail, que aconteceu na semana passada, em São Paulo. A avaliação dos especialistas é que o varejo está diante de uma transformação tão significativa quanto a ascensão do e-commerce ou do mobile commerce. "O que estamos vivendo é uma grande virada. Até então, a gente falava sobre conversar. Agora, saímos do falar para o fazer", afirma Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting. Segundo ele, os agentes autônomos passarão a atuar tanto do lado das empresas quanto dos consumidores, pesquisando produtos, comparando opções e até concluindo compras de forma independente. Se antes as marcas disputavam espaço nas prateleiras físicas e, posteriormente, nos mecanismos de busca tradicionais, agora surge uma nova preocupação: ser encontrado pelos agentes de inteligência artificial. Para Wajnsztok, a velocidade dessa transformação é um diferencial importante. “Diferentemente de outras tendências, a IA está seguindo um contexto muito mais acelerado. O intervalo entre aquilo que é tendência e aquilo que se torna realidade é cada vez menor”. Para ele, a popularização dessas ferramentas amplia a urgência do tema. “A inteligência artificial ficou acessível ao usuário. Então, se o consumidor evolui na forma como cria sua experiência e a empresa não acompanha essa evolução, ela simplesmente deixa de ser considerada.” Assim, os dados tornam-se ativos estratégicos. Empresas com bases organizadas, integradas e capazes de alimentar sistemas inteligentes tendem a sair na frente. “Quando os robôs começam a conversar, a conversa acontece muito no âmbito dos dados. As empresas que trabalham melhor seus dados estarão mais preparadas para esse novo contexto”, avalia o sócio-diretor da Gouvêa Consulting. Quem ganha e quem perde Embora o Agentic Commerce ainda esteja em estágio inicial, Wajnsztok acredita que 2027 marcará o início de uma fase de forte expansão da tecnologia, que deverá se consolidar por volta de 2028. Segundo ele, a tendência é que os agentes autônomos assumam uma parcela crescente das decisões de compra, reduzindo o peso das compras por impulso e ampliando a importância dos dados na jornada do consumidor. “A venda por impulso tende a diminuir. Os agentes vão tomar decisões mais racionais, considerando preço, avaliações, disponibilidade e uma série de outros fatores.” Nesse cenário, nem mesmo marcas consolidadas estariam protegidas. Empresas que hoje são referência em seus segmentos podem perder espaço caso não consigam estruturar adequadamente suas informações para dialogar com os sistemas de IA.